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S I N O P S E S   D A S   A U L A S 

Pares e ímpares: eles e elas - Artistas da Antiguidade à Idade Média no Mundo Ocidental – Uma visão panorâmica

10 de Maio (Domingo) 15h30 - 17h00 

Sandra Leandro

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Jean-Baptiste Regnault - A origem da pintura: Dibutades desenhando o retrato de pastor, 1785. Óleo s/ tela. © WikiCommons 

Sinopse:

O mundo da Arte é um universo que a História não pode resgatar ou apresentar inteiramente, mas pela associação da investigação de várias áreas disciplinares conseguiremos divisar um pouco mais construindo um panorama mais completo e paritário. É possível que gostasse de saber um pouco mais sobre as obras dos Pintores da Antiguidade Clássica Zêuxis e Parrásio e quanto à Baixa Idade Média de Cimabue e Giotto… Mas poderá interrogar-se como outros/as já fizeram: não haveria nesses tempos pintoras ou escultoras? Na mesma proporção e em determinadas épocas não, mas noutras existiram, muitas vezes como casos excepcionais. Nesta aula vamos considerar não só fontes escritas como, por exemplo, a Naturalis historia de Plínio, o Velho, ou De claris mulieribus de Boccaccio, mas também a cerâmica, os têxteis, os mosaicos, as iluminuras que além da sua beleza são fontes primordiais.

Parcerias na História: as mulheres e os seus mestres entre o Renascimento e o século XVIII na pintura e na escultura

16 de Maio (Sábado) 15h30 - 17h00 

Aline Gallasch Hall de Beuvink

Sinopse:

A aula «Parcerias na História: as mulheres e os seus mestres entre o Renascimento e o século XVIII na pintura e na escultura» propõe uma reflexão sobre o papel das mulheres artistas na Europa, num período em que o acesso à formação artística era profundamente condicionado por estruturas sociais e de género. Serão exploradas as dinâmicas de aprendizagem em oficinas familiares e academias, destacando as relações entre discípulas e mestres — muitas vezes pais, maridos ou tutores. A sessão abordará casos emblemáticos de pintoras e escultoras que conseguiram afirmar-se, apesar das limitações impostas, evidenciando estratégias de legitimação e visibilidade. Será também analisado o contexto português, frequentemente menos documentado, mas revelador de trajetórias igualmente significativas. A aula pretende questionar narrativas tradicionais da História da Arte, valorizando contributos femininos frequentemente marginalizados. Ao longo da sessão, cruzar-se-ão análise formal, enquadramento histórico e perspetivas de género. A noção de “parceria” será problematizada enquanto espaço de colaboração e, simultaneamente, de dependência. Pretende-se ainda refletir sobre a autoria, a invisibilidade e os mecanismos de reconhecimento. A aula culminará com uma discussão aberta sobre a reescrita da História da Arte à luz destes contributos. Uma abordagem crítica e inclusiva orientará todo o percurso.

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Élisabeth Vigée Le Brun - Auto-retrato, 1790. Óleo s/ tela. © WikiCommons 

Em busca de uma voz: mulheres e cultura escrita no Portugal do Período Moderno

24 de Maio (Sábado) 15h00 - 10h30 

Vanda Anastácio

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Sinopse:

A historiografia literária raramente se debruça sobre a produção textual feminina dos séculos XVI a XVIII. Um olhar atento permite encontrar referências esporádicas a alguns nomes, que surgem descontextualizados e relegados para um plano secundário que não dá conta nem da sua produção, nem do seu impacto na sociedade contemporânea. O estudo das fontes e da documentação preservada demonstra a necessidade de reavaliar os dados conhecidos para entender a real dimensão da escrita das mulheres durante este período.

Józef Pitschmann - Leonor de Almeida Portugal, Marquesa de Alorna em Viena em 1780, 1780. Óleo s/ tela. © WikiCommons

Pintura Barroca portuguesa, flamenga e italiana no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo: alguns casos de estudo

30 de Maio (Sábado) 15h30 - 17h00 

Andreia Santos Silva

Sinopse:

A colecção de pintura do Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo distingue-se pela sua heterogeneidade. Nesta aula, dedicar-nos-emos em particular às produções pictóricas do período barroco. Das reservas à exposição de longa duração do Museu, são muitos os bodegones (naturezas-mortas), composições florais e representações de cenas sacras - marianas, cristológicas ou hagiográficas – firmadas ou atribuídas a artistas seiscentistas de distintas escolas de pintura. Quem foi Jerónima de Meneses ou Soror Joana Baptista (c.1580/85-1650) e o que pintou? Que semelhanças e diferenças podemos identificar nas obras de Baltazar Gomes Figueira (1603-1674) e Josefa de Óbidos (1630-1684)? O que diferencia os floreros da pintora milanesa Margherita Caffi (1648-1710) de outros pintados por seguidores de mestres flamengos? Serão algumas das questões que orientarão esta aula dedicada a um núcleo relevante da colecção de pintura do Museu.

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Soror Joana Baptista – Oratório com representação da Sagrada Família com São  João Baptista e a Santí sima Trindade. Imagens de Santa Úrsula, Santa Luzia, Santa Catarina de Alexandria, Santa Apolónia, São Estanislao Kostka e São Luiz Gonzaga, c. 1.ª metade séc. XVII). N.º inv. ME 1445. MNFMC. © MNFMC/MP, EPE/ADF Fotógrafa: Luísa Oliveira    

Exemplos de determinação e casos que se contrapõem: algumas trajectórias na Pintura e na Escultura nos séculox XIX e meados do século XX

6 de Junho (Sábado) 15h30 - 17h00 

Sandra Leandro

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Sinopse:

Nesta aula vamos considerar percursos como os de Rodin e Camille Claudel, Columbano e Maria Augusta Bordalo Pinheiro, Adolfo e Josefa Greno, José Malhoa e Zoé Wauthelet Batalha Reis, Almada e Sarah Affonso, Vieira da Silva e Árpád Szenes, Estrela Faria e Mac-Avoy. Em parte do período a que nos iremos reportar as mulheres já podiam frequentar as Escolas de Belas-Artes, mas durante muito tempo a grande maioria que se apresentava em exposições tinha uma aprendizagem particular, o que muito contribuía para que fossem consideradas amadoras. De resto, o mesmo acontecia aos homens que não cursavam a Escola. Só algumas mulheres e homens mais persistentes e que uma e outra vez se apresentavam em exposições e procuram viver do seu trabalho se impuseram na sua profissão. No entanto, no caso das mulheres foram mais frequentemente esquecidas ou omitidas da História por variadas razões que iremos considerar.

Adolfo Greno - Josefa Greno a Dormir, 1884. Óleo s/ tela. © Col. Particular

Maria Keil e Francisco Keil do Amaral: uma parceria para a criação do projeto moderno em Portugal

13 de Junho (Sábado) 15h30-17h00

Helena Souto

Sinopse:

Maria Keil (1914-2012) e Francisco Keil do Amaral (1910-1975) souberam manter uma parceria exemplar em várias obras, através das quais nos legaram uma rara capacidade de complementaridade entre projeto arquitetónico moderno, com a assinatura de Francisco, e as intervenções sagazes de Maria. Iniciadas pelos projetos de mobiliário e outros artefactos para interiores, alcançaram o momento sinfónico perfeito a partir de 1954, aquando do feliz encontro de Maria Keil com a azulejaria, que lhe permitiu desenvolver o seu carácter experimentalista nas metamorfoses dos padrões azulejares, com realce para as pesquisas destinadas às primeiras estações do metropolitano de Lisboa, projetos de Francisco Keil do Amaral, parceria que deu a estas obras a dimensão de intervenção urbana, para sempre pedagógica e cívica, como também o foram os seus trajetos de vida.

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Francisco Keil do Amaral - Desenho de fachada do Instituto Pasteur, 1934. Desenho. © WikiCommons

Herdeiras de Cora - Artistas portuguesas no final do século XX

21 de Junho (Domingo) 15h30-17h00

David Santos

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Maria Helena Vieira da Silva - Detalhe de painel azujelar da estação Cidade Universitária do Metropolitano de Lisboa, 1988. Azulejo. © WikiCommons

Sinopse:

Se as sociedades patriarcais tenderam durante séculos a reduzir o reconhecimento, cabe-nos a nós, que vivemos o século XXI e admitimos essa histórica desigualdade de género, a tarefa de inverter o caminho.

O âmbito desta intervenção não será recuperar uma história da arte no feminino (de Artmisia Gentileschi a Judith Leyster ou Josefa D’Óbidos, de Berthe Morisot a Lee Krasner ou Andrea Zittel…), mas apenas dar nota do extraordinário contributo das artistas portuguesas para o desenvolvimento da arte em Portugal nas décadas finais do século XX. Apesar da tradição misógina da nossa crítica e história da arte, foram sobretudo artistas mulheres quem elevou o nome de Portugal a uma valorização em termos internacionais neste período específico. Maria Helena Vieira da Silva, Paula Rego, Helena Almeida, Lourdes Castro, Ana Vieira, Clara Menéres, Ana Jotta, Júlia Ventura, Ângela Ferreira, Fernanda Fragateiro, Luísa Cunha ou, mais recentemente, Joana Vasconcelos e Leonor Antunes, são alguns dos nomes centrais que fizeram e fazem ainda o nosso país ser identificado como uma geografia produtora de arte qualificada.

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